Devaneios

Por: thais wadhy

Não tinha como descrever aquele sentimento, pois não podia assumí-lo nem para si, quanto mais para os outros. E não assumia. Inventava razões para estar perto dela, para contemplá-la. Razões tão convincentes que convenciam até a si mesma. Mas sentia, e isso não podia negar. Coração acelerado, pernas bambas, euforia, desejo que consome e aperta o peito, faz estremecer; era quase como se ludibriar com a droga da moda. Aliás, era melhor, pois já experimentara a droga da moda. Sentia de corpo e alma a vontade de estar próxima dela, de conversar, de compreender até mesmo as desculpas que usava como subterfúgios para esconder outras verdades. Pensava em como esses subterfúgios lhe eram familiares, como os usava também.
Mas se davam tão bem que poderiam jurar amor fraternal, daqueles de sangue e espírito, que ninguém duvidaria. Que boa razão para justificar devaneios do coração! “Somos irmãs”, diziam. Mas o corpo é traiçoeiro e não exitava em cometer incesto. “Deus, livra-me da tentação, dá-me serenidade”, rezava. Quase em vão, porque sabia que poderia despistar a mente, mas nunca o arrepio da pele, o calafrio, a umidade entre as pernas e o coração a mil.

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