Esperança

Por: thais wadhy

“Eu espero que sim”, ela desabafava.

Espera, mas acredita, ao mesmo tempo, que não há nada para se esperar de alguém que nada tem a oferecer, além das mãos de pele fina que nunca foram colocadas na massa , um coração vagabundo e uma cabeça vazia… ou melhor, vazia não, cheia de coisas…. de filosofias e pensamentos de artigos de revistas com títulos duvidosos e uma meia dúzia de livros de auto-ajuda. Já conhecera a figura pobre que existe por trás da intelectualidade dos óculos de armação escura e quadrada e das roupas descoladas. Esperar o que?

Mas a espera vem de esperança, e ensinaram a ela que a esperança é a última que morre. “Espero que sim”, repetia. Só não a ensinaram que a própria esperança mata… quando se transforma em expectativas. Mata o outro, colocado contra a parede pelas “esperas” injustas, que sufocam, represam, reprimem, induzem e manipulam, apenas para alimentarem o ego de quem as cria; as mesmas “esperas” que provocam um abismo em quem as criou, pois não podem ser saciadas: é impossível atender falsas expectativas.

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