Sustentabilidade, responsabilidade sócio-ambiental e novas oportunidades de negócios.

Thais Wadhy

Entra em vigor em 28 de fevereiro a lei que obriga os pontos de vendas de Belo Horizonte a substituir as sacolas plásticas por embalagem biodegradável (Lei 9.529). Aprovada pelo prefeito Márcio Lacerda, representa um avanço no sentido de proteger o meio ambiente, tendo em vista que a decomposição das sacolinhas de plásticos, utilizadas principalmente por supermercados, mercados, farmácias, mercearias e sacolões (além de lojas), é estimada em até 500 anos.

Se a sustentabilidade já é um assunto em pauta nas organizações mineiras, a promulgação dessa lei é um incentivo a esse tipo de conduta e às ações de responsabilidade sócio-ambiental. Mas, além desse benefício, a proibição do uso de sacolas plásticas convencionais, que pode parecer uma ameaça aos negócios de quem as produz, abre novas oportunidades de negócios:

  • Fabricantes de sacolas plásticas “antenados” podem mudar o foco de seu negócio, oferecendo novos produtos que se enquadrem nas exigências legais.
  • Indústrias de papel, papelão e tecido podem aproveitar um novo nicho de mercado que surgirá a partir da demanda por novos tipos de sacolas, sejam de tecido ou de papel ou mesmo caixas de papelão.

Essa situação criada pela nova lei é um prova de que as decisões de Marketing são fortemente afetadas por mudanças no ambiente político-legal, formado por leis, órgãos governamentais e grupos de pressão que influenciam e limitam organizações e indivíduos. As mudanças podem representar ameaças, se não forem devidamente previstas ou se não houver agilidade para se adaptar a elas. A miopia em relação à visão dos negócios também pode ser fatal para as empresas. Mas, muitas vezes, essas mudanças criar novas oportunidades de negócios, como citado acima. Nesse sentido, planejamento e gestão estratégica são fundamentais.

Segundo o jornal Estado de Minas, as fabricantes mineiras de embalagens de papel acreditam que o consumidor estará mais consciente com as questões ambientais e que seu produto terá boa aceitação nos pontos de venda. A expectativa do setor é aumentar a produção em 30% na comparação entre 2011 e 2010. Mas outros tipos de embalagem poderão também atrair o consumidor, como as sacolas ecológicas reutilizáveis (de tecido ou não) ou mesmo as caixas de papelão, ambas já são utilizadas em alguns supermercados de Belo Horizonte. O Verdemar e o SuperNosso, por exemplo, vendem sacolas ecológicas personalizadas e ainda disponibilizam caixas de papelão, que ficam próximas aos caixas.

O aumento da produção de sacolas de pano ainda poderá beneficiar o varejo e até mesmo os supermercados: alguns tipos de sacolas podem ser vendidas nos pontos de venda a um preço acessível. Por outro lado, estes supermercados deverão buscar outras alternativas para os clientes que não estiverem dispostos a pagar por este tipo de sacola. Uma saída são as sacolas de papel, utilizadas no passado por mercearias e mercados.

De uma forma ou de outra, a nova lei é muito importante para as indústrias e para a sociedade. Novos empregos serão gerados e haverá uma diminuição gigantesca no uso de sacolas plásticas, hoje amplamente utilizadas pelos brasileiros.

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