Tem gente que é assim: chega devagar, como quem não quer nada. Jeitinho mineiro, come quieto. Come pelas beiradas. Começa com um olhar, um sorriso, uma palavra doce depois de um beijo quente. Chocolate com pimenta. Aos poucos, ganham a gente. Vão invadindo a cabeça em momentos inesperados e ocupando mais espaços no coração. Quando percebemos, o sentimento tomou nova forma, como aquele velho sapato que a gente tanto ama: tão confortável, perfeito pro nosso pé, pra nossa vida; pro nosso estilo. Mesmo desgastado, não conseguimos (ou não queremos!) deixá-lo de lado, porque o amamos desse jeito mesmo.

Gosto do conto da avenca, de Caio Fernando Abreu. Representação metafórica perfeita, que ilustra como os sentimentos podem crescer inesperadamente dentro de nós, principalmente quando é cuidado, cultivado. Achei que em mim você não fosse passar de uma flor de jardim, daquelas que enfeitam e perfumam nossos dias, mas que são temporárias, morrem naturalmente com o fim da estação. Amor fugaz, amor de verão. Mas o que posso fazer se, no terreno fértil do meu coração, o que era capim virou selva e as pequenas sementes de girassol se multiplicaram em campos floridos, a perder de vista?

Rezo para que tanta coisa bonita não se perca, não se queime como mato na seca do inverno, não se embriague nem se inunde de si mesmo, como as enchentes de verão. Que seja leve, doce, suave e colorido como primavera, e que se renove a cada outono. Amor brando.

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