As pessoas não entendem. They don’t get it. 

Mas que diabos eu queria? Nem eu mesma entendia, mesmo estando tão envolvida na situação.  Que difícil é decifrar códigos internos, expressos em sentimentos e sutilezas. Passei dias, horas a fio a pensar sobre as circunstâncias, ações e reações. Cheguei a refletir em voz alta, para garantir que não estava perdendo a coerência…. uma forma de enxergar melhor a história como um todo. Mas a verdade é que não tinha todos os elementos necessários para compor um cenário completo, panorâmico. Impossível ter, não é?

Me esforçava para ter clareza, e então surgia você na minha mente. Sorrisos, expressões, trejeitos. Olfativa que sou, fechava os olhos e conseguia até mesmo sentir o seu cheiro. Via você, me via, via nós dois juntos. Uma alegria brotava de dentro… e de novo ficava confusa.

O que é que está acontecendo? Por que é que você não se encaixa num conceito comum, para que eu possa compreender melhor o que se passa?




Foi nesse momento que um raio de lucidez me atingiu. No quarto, a música começava a me envolver e me senti como em um sonho. Repeti para mim a mesma pergunta: por que é que você não se encaixa num conceito comum, para que eu possa compreender melhor o que se passa? Sorri. Uma felicidade genuína começava a tomar conta de mim. Ri alto. Subindo as mãos pelo rosto até o cabelo, puxei a juba pro alto e gargalhei. Era claro agora.

Aqueles fragmentos que montei e remontei para compor um cenário finalmente ganharam vida, porque é assim que você é: cheio de vida e movimento, nunca um quadro estático que se pode analisar e compreender!  Em outras palavras: você nunca se encaixaria num conceito comum… e era justamente essa a sua beleza.

Sua maneira leve de conduzir a vida, sua alegria, seu jeito solto e a forma que exerce a liberdade de ser exatamente aquilo que quer…. características que me encantaram desde quando te conheci e que nos tornaram tão próximos, tão afins. Não faz o menor sentido almejar que seja diferente, que corresponda aos meus desejos ou que mude; ao contrário: gosto de você pelo que é. E talvez se você mudasse e se encaixasse num outro padrão, o encantamento se perderia e nossas afinidades também.

Agora entendo por que estive tão confusa: quis encaixar você num lugar e de um jeito que não te cabem. E pior: quis me encaixar num modelo que também já não me serve. E então, a partir dessa sobriedade, fiquei repensando e divagando sobre meus sentimentos. Afinal de contas, o que sinto por você?  O que espero dessa “relação”?

A simplicidade da resposta me assustou… fiquei intrigada por ter “perdido” tempo em demasia tentando decifrar o que agora é óbvio: quero viver com plenitude e intensidade o que vier e o que quiser. Um dia de cada vez, com leveza e liberdade. Sentir, deixar fluir naturalmente, sem expectativas, sem projeções. Quero compartilhar momentos de alegria, dar risadas, trocar idéias e curtir as coisas simples da vida sempre que o desejo coincidir. E quando não coincidir,  deixar com tranquilidade que você viva e seja feliz do seu modo, sozinho ou acompanhado. Quero ser o melhor de mim e deixar que você faça o mesmo. Quero o exercício pleno da individualidade, da liberdade e do amor.

 

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