No mês de julho, fiz a volta da Ilha Grande, um trekking em um dos lugares mais bonitos que já conheci. Nunca tinha feito uma travessia tão longa e amei a experiência. Como escrevi no relato, foram “6 dias de caminhada seguindo a minha marcha de passos curtos, rápidos e ritmados. Mochila nas costas, paisagens exuberantes, o sol brilhando com toda sua energia! Depois de 70km, sentia o corpo cansado, mas a mente renovada.”

Para mim, as ideias se renovam não somente durante o percurso, mas também quando retorno à vida cotidiana. É quando, com o pé na realidade, percebo meu lugar no mundo; equilibro pensamentos e sentimentos, alinho possibilidades e sonhos. Me sinto mais consciente de mim mesma, da minha existência e dos meus planos e projetos; momento de ajustar a bússola para continuar a trilha da vida e entender a importância de vivenciar o tempo presente com plenitude, esteja onde estiver, sem apego ao passado ou ansiedade pelo futuro. Simplesmente extraindo tudo o que o mundo tem a oferecer; afinal, não dá para viver bem e ser feliz somente nas férias.

É assim em todas as viagens, mas essa teve um sabor especial, porque aconteceu em um momento de muitas mudanças na minha vida pessoal e profissional. Por isso, demorei mais para processar e digerir todos os elementos que percebi e elenquei durante a caminhada. Demorei também a escrever sobre isso, justamente porque me faltava clareza para compreender algumas questões importantes. E, de repente, quando menos esperava, alguns insights surgiram e comecei a desatar alguns nós dentro de mim.

 

Fim de um ciclo

Um ciclo se encerrou na minha vida nesses últimos meses. A percepção da etapa e a descoberta de seu fim não foram repentinas; demorei um tempo para sacar que, nos últimos 2 anos, estive priorizando radicalmente a vida esportiva, a saúde do corpo e meu desenvolvimento físico. Deixei de lado outras paixões, como a leitura, a cerveja com os amigos, os estudos, a política, e meu crescimento intelectual. Nesse texto, escrito em julho do ano passado, dei indícios desse processo. Escrevi: “o esporte revolucionou minha vida, deu equilíbrio e movimento a ela! Hoje, corro, escalo, faço Pilates, pedalo. Cada dia, uma atividade, todos os dias. Não vivo sem e percebo o quanto o corpo foi feito pra se mexer; suas “respostas” não vêm somente em relação à estética, mas também à força, disposição, vitalidade e energia”.

Esse período foi fundamental na minha vida porque, por anos, deixei meu “templo sagrado” de lado e cuidei pouco da minha saúde e bem estar físicos. Precisava voltar minha atenção para isso. Mas… fui de um extremo a outro e passei a priorizar a atividade física acima de tudo. Até, finalmente, perceber que é hora de encontrar o equilíbrio.

Essa fase está no fim. Não que o esporte tenha perdido a importância, mas precisava colocá-lo em páreo com as demais esferas da minha vida, inclusive a profissional. Havia deixado minha empresa em segundo plano num momento que ela precisava muito de mim – com essa crise econômica e política. Essa postura acabou gerando a separação da sociedade.

Agora, é tempo de primavera, de recomeçar e florescer: nova empresa, nova mentalidade, novas possibilidades, nova vida.

 

Corpo, mente e auto-estima

Claro que essa transição não é linear. É um processo às vezes doloroso. Ao escolher um caminho, abrimos mão de outros; e o exercício do desapego não é nada fácil.

Por muitos dias, me vi ansiosa, compulsiva, agitada, insegura e confusa, sem saber como dar os primeiros passos. Devaneios da mente que se refletem no corpo e impactam a auto-estima, produzindo um círculo vicioso de desgaste emocional. Corpo e mente sofrendo por uma causa só.

Depois de ter percebido o processo, tomei novamente as rédeas da minha vida para enfrentar os novos desafios advindos de tantas mudanças internas e externas. Estou pronta para o novo ciclo que se inicia, depois de tanta crise!

Como já escrevi anteriormente, “(…) Essas lições das minhas experiências com trilhas e travessias eu tenho tentado levar pra minha vida, de maneira geral. Estar mais no presente, dar um passo de cada vez, viver os dias com leveza e intensidade, aproveitar a jornada (mesmo os perrengues), não antecipar ou adiar momentos e decisões, percorrer o caminho curtindo o que há de bom e enfrentando os obstáculos que aparecerem de forma objetiva e tranquila.”

Ao universo, gratidão!

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